Ser pai é estar na calma emocionante deste quarto

com alguém pequenino e lindo nos braços,

a quem eu posso chamar: meu filho!

 

É me sentir forte,

como o mais forte dos homens.

É me sentir dono e escravo ao mesmo tempo.

É poder dar a esse pedacinho de gente,

um pouco de mim e muito do meu amor.

 

É extravasar um carinho

que já não cabia dentro de mim

É embalar um berço, tonto de sono,

ouvindo pela madrugada o chorinho,

e ter de trabalhar no dia seguinte,

cansado, corpo dolorido.

 

É falar baixinho

(falar com o coração, eu quero dizer)

com as mãos, com os olhos, com os gestos...

É andar na ponta dos pés

para não acordar o "soberano".

 

É sonhar coisas, fazer projetos.

Imaginá-lo grande,

forte, crescido dizendo "papai!"

 

É olhar o horizonte e vê-lo já crescido:

Médico, engenheiro, astronauta, ou apenas

um homem simples, mas correto, honesto,

um homem de verdade.

 

É acordar à noite em sobressalto:

"Será que ele está bem?"

É de manhã levantar numa estranha ansiedade

sem querer acreditar se é sonho ou verdade,

e repetir baixinho:

"E verdade, tenho um filho. É meu...”

 

Ser pai...

Ser pai é tanta coisa!

É ver a vida com olhos de esperança.

É a gente se desdobrando num pinguinho de gente.

É ver o varal sempre apinhado:

fraldas, mantas, cobertorzinhos...

 

É sentir no ar aquele inesquecível

cheiro de um suave talco.

É ser feliz, rico, multimilionário.

 

Ser pai...

 

(Autor desconhecido)