Para a maioria dos gulosos humanos,

Páscoa é apenas uma festança de chocolate.

O coelhinho entra na dança como decoração e olhe lá.

 

O verdadeiro significado da Grande Passagem,

não cabe  na sofisticação dos regalos oferecidos.

 

Para mim, a data cheirosa e doce quer dizer muito mais.

Ressurreição, mudança, tentativa obstinada de ser melhor como gente.

Lambuzando a alma com chocolate especial,

ponho-me a imaginar o que tantas pessoas sonhariam ganhar

em vez do indefectível Ovo de Páscoa...

Tirando as crianças, claro.

A infância inocente não precisa mais do que se fartar

e passar mal com tanto cacau  elaborado.

 

Ou será que oferecer-se daria mais certo com a doçura da data?

Sair do mundo da gente.

Enxergar outras pessoas.

Fazer o outro feliz.

Que ressurreição da velhice do egoísmo!...

 

O mundinho de  um  só é muito sem graça e limitado.

Cansa, decerto, botar fogo todo dia na fogueira das vaidades.

Olhar-se no espelho e achar-se perfeito por dentro e por fora.

Agredir à toa atirando feio os próprios defeitos como escudo pessoal.

Ser indiferente e omisso por inveja ou picardia.

Negar  palmas para quem merece...

 

VILMA DUARTE

(http://vilmaduarte.mayte.us/prosa/presente.htm)