Estamos passeando à beira de um lago...

Um lago lindo! Águas claras, transparentes...

A superfície, como um espelho brilhante,

reflete as árvores que o rodeiam num abraço verde...

Paramos, admirando a beleza daquela paisagem...

 

Perto de onde estamos há uma pedra.

Uma pedra grande cheia de arestas afiadas.

Uma pedra cinza-escuro... Parece fora de lugar!

De repente, alguém pega a pedra e a lança com força no lago.

 

A superfície espelhada quebra em inúmeros estilhaços.

Saltam ao ar com violência, gotas e jatos de água...

Ondas assustadas se afastam do local do impacto

e se espalham pelo lago, de um extremo ao outro, sem parar...

 

A pedra desce ferindo e rasgando com suas arestas afiadas

a água que vivia tranqüila abaixo da superfície.

 

A poeira pousada no fundo do lago acorda em turbilhões

obscurecendo a água e sujando as plantas aquáticas...

 

Continuamos nosso passeio...

 

Horas mais tarde, já de volta,

paramos no mesmo lugar...

 

O lago é de novo um espelho!

Não há ondas se agitando na superfície

nem poeira obscurecendo a transparência das águas...

 

Será que alguém, na nossa ausência,

mergulhou no lago e retirou do fundo

a pedra cheia de arestas que tanto o feriu?

 

Não! A pedra ainda está lá!

Mas o lago soube recuperar-se

e retomar sua existência brilhante e transparente,

mesmo sabendo que a pedra que o feriu ainda está lá dentro,

no mais profundo do coração do lago!

 

(Gerardo Cabada)