Há papel em tudo:

Há papel no estudo

E na formatura

Há papel no canudo.

Quando alguém nasce

Registra-se em papel;

Quando alguém morre

Registra-se em papel.

A biografia,

A radiografia,

Que papelaria!

Em tudo há papel:

O papel condena,

O papel absolve,

O papel permanece,

O papel dissolve

O papel às pressas

Na rotativa

O papel impresso

A noticia em papel.

O papel registra,

O papel conquista,

O papel descreve,

O papel prescreve.

Sem o papel não se escreve,

Sem papel não há arte

Que papel importante

Representa o papel!

Há papel na minha mão:

É a certidão.

Há papel no meu pé...

... É papel de bala.

O papel que enriquece:

É a loteria.

O papel que aborrece:

É a conta atrasada.

O papel que entristece:

É a carta rasgada.

O papel da alegria:

O papel do presente.

O papel que anuncia:

O papel envolvente.

O papel corre o mundo

Em carta e cartão.

Mas o cheque sem fundo

É um papelão!

O papel é livro.

O papel de parede

É um papel que se lava.

No papel se lavra

A ordem de prisão,

A libertação

O passe, A posse,

Em tudo há papel:

O papel apresenta,

O papel representa,

Com o papel-moeda

Quase tudo se enfrenta:

O papel do contrato,

O preto no branco,

O papel do retrato,

O branco e o preto.

Meu papel ninguém tasca:

E o papel pega-mosca?

O papel colorido,

O papel de balão.

Ontem vi um vestido

Papel e confecção.

O papel que eu devo,

O papel que eu pago

Se em papel eu escrevo

Do papel sou escravo,

Mas como o futuro

Corre acelerado,

Mais certo e seguro

Que papel passado

A curta mensagem

Perderá o valor

(a primeira viagem

no papel do escritor)

Será ultrapassada.

E o leitor infiel

Fará dela uma bola

Também de papel

E será esquecida

Em sua solidão

Atirada num canto

Qualquer do porão.


(Autor desconhecido)