M Ã O S

Hoje, não sei como, mansamente,
senti-me possuído pelas minhas mãos.
Como uma criança curiosa,
procurei desvendar seus mistérios.
Senti sua maciez, suas linhas, seu calor,
sua vida, sua perfeição.
E pensei nas minhas mãos,
que existem como tantas outras mãos.

Mãos que trabalham e o mundo é recriado.
Mãos que se erguem e se unem
e o Infinito se faz presente na vida.
Mãos que se entrelaçam
e cresce o amor, segredo perdido.
Mãos no encontro de dois corpos
e o fruto do amor aumenta a alegria do mundo.

Mãos que acariciam e mãos que agridem.
Mãos que provocam um sorriso
e mãos que enxugam uma lágrima.
Mãos num aperto-de-mão
e mãos e mãos que pressionam o detonador.
Mãos que aproximam e mãos que afastam.
Mãos que indicam caminhos
e mãos que enganam desvios.
Mãos que alimentam 
e mãos vazias para levar à boca.
Mãos que se abrem e mãos que se fecham.
Mãos infantis, mãos adultas, mãos jovens.
Mãos do cientista, do estudante, do trabalhador.
Mãos de gente importante,
do homem simples, do marginalizado.
Mãos perfeitas, mãos deformadas, 
mãos sem mão.
Mãos que são estendidas,
procurando o encontro com outras mãos.

Quando os homens entenderem
o segredo das mãos estendidas,
e unirem todas as mãos,
numa corrente sem fim,
as mãos serão o caminho
para o mundo sem caminho.

(Autor desconhecido)