Graveto...

pé...

Pés e gravetos,

folhas...

pés...

Folhas e pés.

 

Barulho de palavras

quebradas aos pés do caminhante,

quebrando o silêncio

da seiva que sobe

da vida que sobe

da palavra que sobe

ao altar dos últimos galhos

das últimas folhas

das últimas rimas

ao compasso do vento

ao compasso do sol

ao compasso do olhar

das estrelas escondidas da lua...

 

Lá embaixo,

gravetos e pés

pés e folhas,

a caminhada do homem-inseto

à procura de alturas

das alturas

onde moram os sonhos.

Os sonhos...

os pés...

os gravetos...

as palavras...

Folhas secas

onde a realidade

é o suicídio do sonho.

 

(Gerardo Cabada Castro)