Se tiver de escolher, 
escolho, sem duvidar, a amizade. 
A amizade é o sentimento 
mais sincero e puro que conheço. 
O amor é egoísta, possessivo, excludente. 
O único amor bonito que existe 
é o que caminha unido à amizade, 
e a única beleza que o amor tem 
é a amizade que o acompanha.

Sei que é difícil definir o amor. 
Eu o considero como uma mistura 
de atração e desejo possessivo, 
às vezes associado 
a uma entrega absoluta e doentia, 
que não leva a nada positivo. 
O altruísmo, querer o melhor para o outro, etc, 
não são carismas do amor mas da amizade.

Não é necessário ser o melhor amigo 
de seu melhor amigo 
para sentir-se completamente feliz. 
No amor, porém, você não será feliz 
enquanto não for a pessoa mais amada 
da pessoa que você ama.

Mesmo, quando isso acontecer, 
viverá com medo de que essa situação mude. 
O amor é um sentimento absurdo, 
teimoso, irracional e egoísta. 
A amizade não é tão imprevisível. 
Para ganhar a amizade de alguém 
costuma ser suficiente oferecer-lhe a sua. 
Se não for suficiente, é porque, ou a pessoa 
tem poderosos motivos para não corresponder, 
ou ela não merece sua amizade. 
Mas o amor não é assim. O amor é uma loteria.

A amizade é calma, racional, segura e duradoura. 
O amor, porém, sempre está pendente de um fio. 
É frágil e evasivo quando se procura, 
mas violento, perigoso e persistente 
quando se afasta dele.

O melhor amigo de meu melhor amigo 
é um dos meus melhores amigos. 
Uma coisa dessas não acontece com o amor.

A AMIZADE é serena, constante, racional, 
menos instável, tranqüila, duradoura, 
correspondida, altruísta, livre, 
apóia-se apenas na pessoa,
não no aspecto físico...

O AMOR é violento, tempestuoso, efêmero,
incontrolável, volúvel,
nem sempre é correspondido,
egoísta, temível quando se afasta dele,
apóia-se no aspecto físico...


Por tudo isso, condeno o amor
e defendo a amizade!

J. Salas