Senhor,

não sem muito hesitar, acolhi o teu convite

"Se não vos tornardes como crianças

não entrareis no Reino dos Céus".

Fiz-me pequenino, mas...

de novo comecei a sonhar.

Os sonhos são coisas de crianças.

Os adultos não têm tempo para perder:

têm sempre, dizem, coisas importantes para fazer.

Entre tantos sonhos meus,

um, sobretudo, me é querido

e eu o cultivo como uma flor bela e perfumada:

é o sonho de ver-te, meu Deus.

Mas...

Tu os vês, os meus sonhos?

Tu os gravas na memória?

Ou, quem sabe, estão destinados a desvanecer-se

como a noite ao surgir a manhã?

Tu escutas a minha voz ou os teus ouvidos estão surdos

como uma montanha sem eco ao rugir da torrente?

Começo a perder a paciência...

As crianças - e quem não sabe? - são impacientes.

Chego a pensar que é melhor ser adulto

e não sonhar.

Qual a tua resposta às minhas dúvidas,

aos meus medos?

 

- Quero dizer-te, minha criança.

que também Eu tenho os meus sonhos...

sonhos de Deus, sonhos verdadeiros.

Um, sobretudo, me é querido,

e Eu o cultivo como uma flor linda e perfumada:

é o sonho de me deixar ver por ti...

é o teu próprio sonho.

Não percas a paciência.

Não a perco Eu que, de noite, vejo-te

com os teus sonhos

e, de dia, com as tuas lamúrias.

Caminha...

cultiva os teus sonhos,

cultiva a tua flor...

quando menos o esperares

terás chegado ao destino e me verás...

e nos olharemos nos olhos,

e, descendo... descendo... até o coração

um do outro

nos veremos

e então compreenderás:

será realizado o sonho

de um eterno amor

porque, desde sempre,

o teu Deus

cultivou a flor!

 

(Gino Zatelli)