CARTA DE UM SUICIDA

Ilustríssimo Senhor Juiz:

Não culpe ninguém pela minha morte. Deixei esta vida, porque um dia mais que eu vivesse, acabaria morrendo louco. Explico-lhe, Sr. Juiz:

Tive a infelicidade de casar-me com uma viúva que tinha uma filha. Se eu soubesse o que ia acontecer, nunca me teria casado! Meu pai, para maior desgraça, era viúvo, e quis a fatalidade que ele se apaixonasse e casasse com a filha de minha mulher. Resultou daí que minha mulher tornou-se sogra de meu pai. Minha enteada ficou sendo minha mãe, e meu pai era, ao mesmo tempo, meu genro.

Algum tempo depois, minha filha trouxe ao mundo um menino, que veio a ser meu irmão, porém, neto de minha mulher, de maneira que fiquei sendo avô de meu irmão.

Com o decorrer do tempo, minha mulher também deu à luz um menino que, como irmão de minha mãe, era cunhado de meu pai e tio de seu filho, passando minha mulher a ser nora de sua própria filha.

Eu, Sr. Juiz, fiquei sendo pai de minha mãe, tornando-me irmão de meu pai e de meu filho, e minha mulher ficou sendo minha avó, já que é mãe de minha mãe.

Assim acabei sendo AVÔ DE MIM MESMO!!!

Portanto, Sr. Juiz, antes de que a coisa se complique mais, resolvi desertar deste mundo...

Perdão, Senhor Juiz...

(Autor desconhecido)