Numa tarde calorosa, vários cultivadores de laranjas, que levavam seus carregamentos de laranjas a uma fábrica de sucos, coincidiram num pequeno bar à beira da estrada.

 Enquanto descansavam e bebiam alguma coisa bem gelada, ficaram batendo papo sobre vários assuntos. Conversa vai, conversa vem, se enrolaram numa acalorada discussão sobre religião, não conseguindo concordar sobre o que mais agradava a Deus na prática da religião. Cada um defendia a sua posição com toda energia.

 O mais velho do grupo não participava da conversa. Estava sentado, tranqüilo, só ouvindo, fumando seu cigarro de palha. Alguém do grupo dirigiu-se a ele:

- Quem está com a razão, seu João? O que se deve fazer para agradar a Deus?

- Bem - respondeu ele, pensativo. - Vocês sabem, existem três caminhos para chegar daqui à fábrica de sucos. Pode-se ir direto, por cima do morro grande. Trajeto mais curto, mas tem uma subida e tanto. Também se pode ir contornando o lado leste do morro. Não é muito longe, mas a estrada é mais esburacada que o inferno. Ou, então, pode-se ir pelo lado oeste do morro, que é o caminho mais longo, mas em compensação, o mais suave.

 - No entanto, querem saber de uma coisa? - prosseguiu ele, olhando bem nos olhos de todos, - quando a gente chega lá, o homem da fábrica de sucos, não pergunta por onde veio ou como foi que  chegou. Só pergunta isto: "Moço, são boas as laranjas que você trouxe?"
 

(Beulah Collins - adaptação de G.Cabada)