Afastado das aldeias, perto de uma montanha, morava um velho sábio. Vivia sozinho e de forma bastante austera. Alimentava-se praticamente só das coisas que cresciam na horta que cultivava perto de sua choupana. De vez em quando, algum morador lhe presenteava também com alguma comida. Era muito conhecido por sua sabedoria e muito procurado por todos que quisessem um conselho para tomar alguma decisão ou resolver algum problema. Como dificilmente se afastava de sua moradia, estava sempre à disposição de quem o procurasse.

 

Também muitas crianças gostavam de andar por lá e escutar o velho falar. Um dia uma criança disse ao velho sábio:

- Você dá conselhos a todas as pessoas que aqui vêm. Você sabe falar sobre qualquer assunto. Mas, diga uma coisa: quando você mesmo precisa de um conselho, a quem procura?

O velho sábio deu um pequeno sorriso e respondeu ao garoto:

- Eu tenho um pássaro. Eu pergunto a ele. E ele me ajuda bastante.

 

Desde então, espalhou-se em toda região a história do pássaro conselheiro que vivia com o velho sábio. As pessoas de todas as aldeias da região ficaram curiosas para conhecer o pássaro. Muitos espreitavam a choupana do velho sábio por longas horas, para ver se viam alguma coisa. Mas ninguém nunca chegou a ver o tal pássaro. E assim, a curiosidade só aumentava e ninguém tinha coragem de perguntar ao velho sábio onde estava o pássaro conselheiro. E os pais aconselhavam os filhos a não tocarem no assunto do pássaro com o velho, pois um tal pássaro podia até ser muito perigoso.

 

Uma vez, um grupo de crianças estava conversando com o velho sábio e uma delas, muito curiosa, tomou coragem e perguntou ao sábio sobre o tal pássaro. O velho sábio disse:

- Então, quere ver o meu pássaro? É muito simples. Espere um pouco.

 

O velho sábio entrou na sua choupana e pouco depois saiu de lá com um pássaro de madeira na mão, esculpido toscamente com um canivete. As crianças olharam aquilo meio incrédulas e perguntaram se o velho sábio tinha certeza que este era o pássaro que dava respostas às suas perguntas. E o velho sábio respondeu:

- Eu não disse que o pássaro dá respostas. Eu só disse que este pássaro me ajuda bastante, pois a ele eu faço as perguntas. E faço muitas perguntas. E se eu souber fazer bem as perguntas, já é uma etapa importante na busca das respostas.

 

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A resposta correta está muitas vezes na pergunta certa. Fazer perguntas deve ser um exercício constante na vida das pessoas e das instituições. Perguntar-se sobre todos os aspectos de um problema...
 

 

(De “Histórias para Dinamizar Reuniões” - Volney J. Berkenbrock)