Antigamente nas costas da Inglaterra, em alguns povoados da costa, tinham-se formado bandos de malfeitores que, quando ocorria um naufrágio, dirigiam-se apressadamente até a costa para se apossarem dos bens que o mar lançava nas praias. Eram pessoas de tão poucos escrúpulos que faziam seu trabalho de rapina mesmo quando isso significasse assassinar os poucos sobreviventes do desastre.

 

Numa dessas tristes ocasiões, um dos náufragos, que sabia do perigo de cair nas mãos dos integrantes desses bandos, conseguiu se afastar da praia e alcançar a nado uma rocha situada no meio das ondas. Ficou esperando ali, escondido, encharcado até os ossos, e debaixo de uma chuva insuportável, até que aparecesse algum barco do rei que o salvasse, não apenas do tempo, mas também daqueles ladrões costeiros.

 

Rangeu os dentes de frio e de medo, durante horas, que devem ter parecido intermináveis, mas, finalmente, um navio da marinha real o recolheu. Já tinha trocado de roupa e estava tomando um tônico reconstituinte, quando um dos oficiais do navio lhe perguntou se no meio da tempestade não tinha tremido.

 

O náufrago olhou para o oficial e disse:

- Eu tremi, sim, mas a rocha onde eu me segurava não tremeu.

 

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Em outras palavras, ele sinalizou que, certamente,

tinha sentido medo e frio, e talvez tivesse se aproximado

dos umbrais do desespero, mas aquela rocha

o tinha mantido a salvo de qualquer eventualidade

porque era muito mais forte,

muito mais sólida e muito mais poderosa do que ele.

 

(Do livro "O CRIME DOS ILLUMINATI" - César Vidal)