Após vinte anos de vida conjugal, sem filhos, a alegria do casal não conheceu limites quando souberam que o primeiro bebê estava a caminho. Mas, após o parto, o médico verificou, com abatimento, que o recém-nascido tinha o bracinho esquerdo aleijado. Apelou para toda sua calma e experiência, para dar a notícia ao pai e ofereceu-se para levar a triste realidade à parturiente.

- Não - disse o marido com serenidade. - Eu mesmo falarei com ela.

Juntos colocaram o bebê ao lado da mãe. Esta admirou a pele macia, acariciou-lhe a cabecinha e olhou orgulhosamente para o esposo:

- Ela é uma perfeição, não é?

Alguma coisa no olhar do marido a advertiu. Lentamente afastou as cobertas e viu o bracinho aleijado. Fez-se pesado silêncio no quarto. Voltou-se, então, para o marido e disse docemente:

- Querido: Deus sabia a quem devia mandar esta criança, não acha? Ele compreendeu quanto precisamos dela e quanto ela precisa de nós.

(Autor desconhecido)