Durante uma era glacial bem remota, quando parte do globo terrestre se achava coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram. Morreram indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil.

 

Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Bem próximos um do outro, cada qual podia sentir o calor do corpo do outro. E assim bem juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente. Aquecidos dessa maneira, conseguiram enfrentar por mais tempo aquele inverno terrível.

 

Porém, os espinhos de cada um começaram a incomodar, a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte.

Feridos, magoados, sofridos e decepcionados, começaram a afastar-se por não mais suportarem os espinhos dos seus semelhantes. Mas surgiu novo problema: afastados, separados, começaram a morrer congelados.

 

Os que sobreviveram ao frio voltaram a se aproximar, pouco a pouco, unindo-se novamente, mas com jeito e precauções, conservando uma certa distância um do outro. Distância mínima, mas suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar-se danos recíprocos.

 

Assim agindo, eles resistiram à longa era glacial, apesar do frio e dos problemas.

*** *** ***

Todos temos defeitos, limitações.

Você consegue conviver com seus defeitos

e os defeitos do seu próximo mais próximo,

em sua casa, em seu trabalho, em seu grupo,

em sua família ?

 

(Arthur Schopenhauer)