Desde que era pequena, antes de ir para a escola, minha mãe me obrigava a tomar o café da manhã mesmo que não tivesse fome. Nenhuma outra mãe fazia isso. Tinha que levar um sanduíche ou frutas, quando minhas coleguinhas podiam comprar batatinhas fritas, doces e outras coisas mais gostosas. Eu ficava muita chateada com isso. Me irritava com suas palavras:

- Coma tudo, não deixe nada... Faça isso direito.... Faça de novo, etc.

Sempre assim!

 

Violou as regras do trabalho a menores de idade, obrigando-me a arrumar a cama, a ajudá-la na cozinha e outros serviços. O pior de tudo era ir ao mercadinho, cheio de gente, calor e filas. Que trabalheira!!!

Fui crescendo e minha mãe metia-se em tudo:

- Quem são suas amigas?... Como são suas mães?... Onde vi-vem?...

Uma droga! O pior foi quando comecei a ter amigos. As outras amigas podiam ver seus amigos à vontade, mas eu tinha que levá-los à casa e apresentá-los à minha mãe. Era o cúmulo! E o interrogatório de sempre:

- Como se chama?... Onde vive?... Que estuda?... Trabalha?...

 

Meus trabalhos foram aumentando: varrer, limpar o banheiro, lavar a roupa... Os anos foram passando. Casei-me e comecei uma nova família. Agora sou mãe também. Neste Dia das Mães fui a missa e comunguei agradecendo a Deus por minha mãe. Graças ao cuidado que ela teve com meus alimentos cresci sã e forte. Graças à atenção com que ela olhava meus deveres de casa, consegui terminar meus estudos. Graças a que me ensinou a fazer os trabalhos de casa, agora tenho um lar limpo, ordenado e sei administrar minha casa. Graças ao cuidado com que me fazia escolher minhas amigas, ainda conservo várias delas que são um verdadeiro tesouro... Graças a que conheceu meus melhores amigos, pude descobrir quem era o melhor e agora é meu esposo.

- Obrigado, Senhor - disse do fundo do meu coração, - por ter me dado minha mãe, minha querida mãe, em quem via só defeitos e não qualidades, essa mãe que me formou tão bem! Peço apenas uma coisa, Senhor, que, agora que tenho meus filhos, me considerem a pior mãe do mundo!

 (Autor desconhecido)