Um homem piedoso, peregrinando pelos caminhos do mundo, chegou a um famoso santuário, vestindo velhos trapos de mendigo.

 

Dirigiu-se ao barbeiro da cidade que, na hora, barbeava um homem rico; mas, ao pedir-lhe que o barbeasse, o barbeiro interrompeu seu trabalho, deixando o rico à espera, na cadeira, e foi fazer a barba do peregrino.

 

Fez de graça o trabalho e, ainda mais, deu uma esmola ao pobre mendigo. Este sentiu-se muito emocionado e decidiu que daria ao barbeiro toda a esmola que o dia lhe rendesse.

 

Aconteceu que um rico senhor, comovido pela miséria do peregrino, deu-lhe uma sacola cheia de dinheiro. O esfarrapado peregrino, então, muito contente pela esmola recebida, foi logo, correndo, entregar ao barbeiro todo o dinheiro recebido.

 

Mas o barbeiro ficou irritado e lhe gritou:

- Que tipo de homem piedoso é você, afinal? Não tem vergonha de querer pagar-me um serviço que eu fiz só por amor?

 

(De "O canto do pássaro" por Anthony de Mello)