Os pássaros iam em caravana, atravessando pontes, caminhos, voando sobre o deserto para não queimarem suas patas, mergulhando nas nuvens para se refrescarem. O canarinho-da-terra[1] cantando, a corruíra nas costas da rolinha, a pomba levando a mensagem à frente da comitiva que ia homenagear o rei no dia de seu aniversário.

Por fim, chegaram ao palácio e tomaram seus postos. A pomba no lugar de honra, branca de algodão dos pés à cabeça.

- Para pam pam!!! - Entra o rei com seu manto vermelho, saudando a todos.

Os pássaros vão passando, cumprimentando-o, beijando-lhe a mão e voltando depois para seus lugares. Mas havia um pássaro muito vaidoso, que era a inveja dos demais, por ser tão branco. Chamavam-no Odilere[2], que quer dizer "beleza". Odilere, arrogante, decide ficar atrás e não cumprimentar o rei.

- Para que ele veio, então? - perguntou a coruja.

- Para se exibir - resmungou o sabiá.

Todos morriam de inveja, mas o rei, ao vê-lo, tão branco, chama-o.

- Você, aproxime-se.

Odilere aproximou-se e fez uma reverência. O rei sorriu com cara de majestade.

Foi então que nem a coruja, nem a corruíra, nem o canarinho, nem o sabiá agüentaram mais e pegaram cinza, manteiga de cacau, enxofre e tinta de várias cores e atiraram tudo em Odilere, que se transformou num arco-íris, muito mais lindo do que quando era branco.

O rei, ao vê-lo tão colorido, chamou-o e lhe pôs uma coroa como prêmio. Coroa de cardeal. E, assim, pela inveja dos feios, nasceram os pássaros coloridos.

A pomba, que não saiu do lugar, permaneceu branca. O rei nomeou-a, então, sua mensageira oficial.

 

(Conto tradicional cubano)


 


[1] Troquei os nomes originais dos pássaros cubanos por pássaros do Brasil.

[2] "Odilere": significa "beleza" na língua africana lucumí.

 

(Conto popular cubano)