Um homem, tido como tolo, tinha uma criação de colméias. Ele fornecia mel a varias pessoas do vilarejo, entre elas ao farmacêutico. Entrou um dia na farmácia e disse ao farmacêutico:

- Muitas moscas o senhor tem aqui!

- Pois, olhe! - disse o farmacêutico. - Dou-lhe um real por cada mosca que mate!

 

O homem pediu aos presentes que fossem testemunhas e começou a caçar as moscas. Matou entre 20 e 25 moscas.

 

O farmacêutico, então, começou a separá-las uma por uma, dizendo ao mesmo tempo:

- Esta é mosco... esta é mosco...

E assim por diante até acabar. Nenhuma era mosca. Todos riram do tolo e o farmacêutico não lhe deu nenhum real.

 

O homem, porém, pareceu não se importar e foi embora. Mas quando chegou o dia de levar o mel ao farmacêutico, misturou-o com um pouco de bosta.

 

Depois de algum tempo, o homem passou pela rua da farmácia, entrou e perguntou ao farmacêutico se lhe gostara o mel.

O farmacêutico respondeu:

- Para falar a verdade, o último mel que você trouxe não estava nada bom. Parecia que tinha um certo gosto de merda.

- Tinha mesmo - respondeu-lhe o tolo. - Mas, quem sabe separar as moscas dos moscos deve saber também separar a merda do mel. 

(Conto popular da Galícia - Espanha - recolhido por Henrique Harguindey)