Um dia, meu avó, com mais de 90 anos, perguntou-me:

- Alguma vez você olhou para suas mãos atentamente?

Devagar abri minhas mãos e fiquei olhando-as calmamente. Virei as palmas para cima e para baixo pensando que realmente nunca tinha prestado atenção às minhas mãos...

 

Meu avô sorriu:

- Pense um pouquinho como suas mãos o serviram bem durante todos seus anos...

 

Olhe minhas mãos...

Mesmo agora, enrugadas, secas e fracas,

foram as ferramentas que mais usei durante toda a minha vida...

Elas puseram a comida em minha boca e a roupa em meu corpo...

Quando criança, minha mãe ensinou-se a juntá-las para rezar...

Minhas mãos me ajudaram a calçar os sapatos e a amarrar os cadarços...

Já estiveram sujas, inchadas, feridas...

Já cobriram meu rosto, enxugaram minhas lágrimas...

Pegaram meus lápis de cores e meus brinquedos...

Lavaram e secaram meu corpo e pentearam meu cabelo...

Já dei socos e já acariciei com carinho e amor...

Foram condecoradas com um anel no dia do casamento...

Muito sem jeito, segurei com elas, por primeira vez,

meu filho recém nascido...

Mas foram firmes e amorosas

quando segurava as mãos de meus filhos passeando pelo parque...

Tremeram muito no enterro de meus pais e de minha esposa...

e quando acompanhei minha filha,

no dia de sua boda, a caminho do altar...

Mesmo agora, quando poucas coisas funcionam bem em meu corpo,

estas mãos me ajudam a levantar-me e a sentar-me

e se juntam para rezar...

E são estas as mãos que Deus pegará um dia com as suas

quando me levar para a sua casa...

 

(De "Las manos del abuelo" - Autor desconhecido)

- Tradução e adaptação de G.C.C. -