A professora pediu a seus alunos da primeira serie do ensino fundamental que desenhassem algo pelo qual estivessem muito gratos. Ela pensou que as crianças, em sua maioria muito pobres, não teriam muitas coisas a agradecer. Elas pintaram flores, frutas, rostos, etc. Mas a professora ficou assombrada com o desenho que lhe entregou Donato: apenas uma mão desenhada com dificuldade. Que desejava ele expressar com aquela mão? De quem seria aquela mão? A turma ficou encantada com o desenho do menino e tentou adivinhar o significado.

- Professora, essa é a mão de Deus que nos dá a comida - disse um aluno.

- Não! - arriscou uma menina. - É a mão do moço que vende balas na entrada da escola.

- É a mão do padeiro que faz o pão e as tortas - acrescentou outra.

- É a mão do médico que curou Donato quando ele esteve hospitalizado - gritou com entusiasmo um menino.

 Donato permanecia em silêncio, negando com a cabeça. A professora aproximou-se dele, inclinou-se carinhosamente sobre sua carteira e lhe perguntou de quem era aquela mão.

- É a sua mão, professora - disse o menino ficando vermelho.

Então a professora recordou que muitas vezes, na hora do recreio, dera a mão a Donato, que era um menino muito fraco e desamparado. E compreendeu que esse gesto tão simples para ela era a experiência mais agradável na vida de Donato.

 

(Contado por Antonio A. Esclarín)