O velho Dudu, com uma enxada nas mãos, tirava a terra de um buraco profundo que estava escavando no seu quintal. De vez em quando parava para limpar o suor e descansar os braços, voltando logo depois ao duro trabalho.

 

- Boa tarde! - Saudou, do outro lado da cerca, o doutor Reinaldo, médico do vilarejo, que passava cavalgando num belo cavalo.

- Boa tarde! - respondeu Dudu, parando de cavar.

- Como está passando? Parece muito cansado!

- Estou com 75 anos, doutor, trabalhando debaixo deste sol que me queima o corpo todo!

- Para que está fazendo esse buraco tão grande?

- Para plantar uma mangueira.

- Uma mangueira? O senhor pensa que, com a sua idade, ainda vai chupar as mangas dessa mangueira? Quando esta mangueira der frutos já não estará aqui para desfrutar deles.

- Eu bem sei que estou muito velho e que a terra me está chamando para junto dela...

- Então?

- O carinho que nós temos por nossos filhinhos, nos faz trabalhar por eles como nossos pais trabalharam por nós.

- Que belas palavras! - comentou o doutor com certa ironia.

- Os homens estudados como o senhor, sabem muito mais do que nois, pobres roceiros. Mas vou fazer-lhe uma pergunta: foi o senhor que plantou a mangueira do seu quintal que lhe dá umas mangas de dar inveja a todos o que passam perto?

- Não. Foi meu avô.

- E seu avô provou as mangas dessa mangueira?

- Não. Até que nasceram os netos, ela não deu mangas.

- Estou fazendo o que seu avô fez. Preparando um presente gostoso para meus netinhos que só o receberão quando eu já não estiver vivo.

 

O doutor Reinaldo agradeceu e foi embora pensando nas palavras do velho Dudu...

 (Adaptação de "A nogueira", conto de Manuel Lugris Freire)