A praça estava deserta quando me sentei para ler embaixo dos longos ramos de um velho carvalho.
Desiludida da vida, com boas razões para chorar, pois o mundo estava tentando me afundar.

 

E se não fosse razão suficiente para arruinar o dia, um garoto ofegante se aproximou, cansado de brincar. Ele parou na minha frente cabeça pendente, e disse cheio de alegria:

- Veja o que encontrei:

 

Na sua mão uma flor, e que visão lamentável, pétalas caídas, descoloridas, murchas... Querendo me ver livre do garoto com sua flor, dei um pálido sorriso e me virei. Mas ao invés de recuar ele se sentou ao meu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa:

- O cheiro é ótimo, e é bonita também... Por isso a peguei. Tome, é sua.

 

A flor à minha frente estava morta ou morrendo, nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mas eu sabia que tinha que pegá-la, ou ele jamais sairia de lá.

 

Então estendi a mão para pegá-la e respondi:

- Era o que eu estava precisando.

 

Mas, ao invés de colocá-la na minha mão, ele a segurou no ar sem qualquer razão. Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego, que não podia ver o que tinha nas mãos.

 

Percebi minha voz sumir, lágrimas despontaram ao sol enquanto lhe agradecia por escolher a melhor flor daquele jardim.

- De nada, ele sorriu.

 

E então voltou a brincar sem perceber o impacto que teve em meu dia.


(Autor desconhecido)