Um homem perdeu seu machado.

Ele suspeitou do filho do vizinho e se pôs a observá-lo.

 

Seu jeito era o de um ladrão de machado...

A expressão de seu rosto era a de um ladrão de machado...

Seu olhar era de um ladrão de machado...

Sua maneira de andar era de um ladrão de machado...

Todos os seus movimentos, todo o seu ser eram a expressão exata de um ladrão de machado.

 

Os dias foram passando, e o homem que perdera o machado voltou à floresta à procura de galhos secos caídos no chão.

 

Aconteceu que, ao revirar as folhas secas que cobriam o chão, achou o seu machado.

 

No dia seguinte, ele tornou a olhar para o filho do vizinho.

Seu jeito na era mais o de um ladrão de machado...

A expressão de seu rosto não era mais a de um ladrão de machado...

Seu olhar não era mais de um ladrão de machado...

Sua maneira de andar não era mais de um ladrão de machado...

Todos os seus movimentos, todo o seu ser não eram mais a expressão de um ladrão de machado.

(De "Os Mestres do Tao")