Na escola, onde estudava, Laurinha tinha ouvido a professora falar da importância de ajudar os necessitados. Um dia, sozinha na sala de sua casa, ficou pensando que tinha que fazer alguma coisa para ajudar as pessoas. Depois de pensar bastante, resolveu dar dinheiro a alguém que estivesse precisando.

 Encontrou uma moeda entre as coisas de sua mãe. Pegou-a e saiu correndo em direção à porta da rua. Quando a mãe a viu passar, chamou-a:

- Aonde você vai com essa moeda?

- Vou dá-la a um mendigo - disse a menina feliz porque ia fazer uma boa ação.

- Minha filha, esta moeda é minha e você não pode dá-la a ninguém porque não lhe pertence.

 

Sem graça, a menina devolveu a moeda à mãe e voltou para a sala, pensando...

- Bem, se não posso dar dinheiro, o que poderei dar?

Olhou distraída para a estante de livros e teve uma ideia:

- Já sei! A professora sempre diz que o livro é um tesouro que traz muitos benefícios a quem o lê.

Entusiasmada, pegou na estante um livro que lhe pareceu interessante, e já ia saindo da sala quando o pai, que lia o jornal acomodado numa poltrona, perguntou-lhe:

- O que você vai fazer com esse livro, minha filha?

Laurinha estufou o peito e informou:

- Vou dá-lo a alguém!

Com serenidade, o pai tomou o livro da filha, dizendo:

- Este livro não é seu Laurinha. É meu, e você não pode dá-lo a ninguém.

 

Muito desapontada, Laurinha pediu à mãe que a deixasse ir dar uma volta pela rua. Era uma rua tranquila, sem perigo e quase sem movimento. Laurinha caminhava devagar, pensando nas suas tentativas fracassadas de ajudar a alguém, quase chorando de tristeza.

Nisso, ela viu uma coleguinha da escola sentada num banco da pracinha. A menina parecia tão triste e desanimada que Laurinha esqueceu sua tristeza e se aproximou dela:

- O que você tem Raquel? - perguntou-lhe Laurinha.

Raquel, levantando a cabeça e vendo Laurinha a seu lado, desabafou:

- Estou chateada, Laurinha, porque minhas notas estão péssimas. Especialmente em matemática.  Não consigo aprender nada e tenho ido muito mal nas provas. Desse jeito, vou acabar perdendo o ano. Meus pais estão muito preocupados.

- Não precisa ficar triste - replicou Laurinha. - Eu posso ajudá-la. Vamos até sua casa.

Mais animada, Raquel conduziu Laurinha até a sua casa, situada num bairro distante e pobre. Ficaram a tarde toda estudando.

 

Quando terminaram, satisfeita, Raquel não sabia como agradecer à amiga.

- Laurinha, aprendi direitinho o que você ensinou. Não imagina como foi bom tê-la encontrado naquela hora e o bem que você me fez hoje. Confesso que não tinha grande simpatia por você. Achava-a orgulhosa, metida, e vejo que não é nada disso. É muito legal e uma grande amiga. Valeu.

Sentindo um grande bem-estar, Laurinha compreendeu a alegria de fazer o bem. Quando menos esperava, sem dar nada material, percebia que realmente ajudara alguém.

Despediram-se, prometendo-se mutuamente continuarem a estudar juntas.

Retornando para a casa, Laurinha, muito feliz, contou aos pais tudo o que fizera...
 

(Autor desconhecido)