De manhã, bem cedo, dirigia-me à parada de ônibus. Da minha casa, na periferia de uma pequena cidade rural, tinha que percorrer um quilômetro. Como não me sentia bem, era um quilômetro terrivelmente longo. Umas pontadas no coração não me deixavam respirar normalmente. Além disso sentia uma forte dor no lado direito. O que podia fazer? Estava na metade do caminho e não conseguia avançar nem retroceder. Não podia mais! Estava quase caindo, torcendo-me de dor, lá, no meio da estrada.

 

De repente, um caminhão parou e o motorista perguntou:

- Moça! Não está se sentindo bem?

Num fio de voz, respondi:

- É o coração. Leve-me até o ponto de ônibus.

Imediatamente, subiu-me ao caminhão já quase desacordada. Senti um frio na espinha: "A onde me levará?... Era um desconhecido!... Que será de mim?..." Não consegui continuar pensando. A dor me venceu.

 

Acordei no hospital. Quando perguntei o que tinha acontecido e como tinha chegado até lá, uma enfermeira olhou sorridente e respondeu:

- Teve muita sorte, moça! Encontrou um bom samaritano. Um caminhoneiro a trouxe e também deixou dinheiro para pagar seus remédios. Disse que a encontrou passando muito mal.

 

Lembrei-me, então, de tudo e perguntei ansiosamente à enfermeira:

- Como se chamava?

- Perguntamos-lhe, mas disse que o nome dele não tinha importância. Não quis deixar nenhum dado.

 

Virei-me sobre o travesseiro para enxugar as lágrimas e abençoei aquele homem jovem que gastou seu tempo e seu dinheiro em nome do amor para salvar a vida de uma desconhecida.

 (C. R. S.)