O filho ia ser operado, numa longa e delicada operação, e o pai, que morava no interior e o tinha acompanhado até Londres, foi aconselhado a esperar no hotel.

- Não adianta o senhor ficar por aqui. Logo depois da operação, o senhor será chamado.

 Mesmo contra a vontade, voltou ao hotel, a cidade sendo invadida pelo nevoeiro. Aflito e inquieto, passeando nervoso, esperou até que a campainha do telefone rompeu o silêncio. A operação terminara e o paciente estava voltando a si da anestesia. Podia ir.

O denso nevoeiro cobrira totalmente as ruas. Felizmente o hospital não era longe e começou a caminhar, mas ao passar pelo primeiro cruzamento, perdeu a orientação. Tentou várias vezes, às apalpadelas, achar o caminho, mas não conseguiu. O nevoeiro estava cada vez mais espesso. Via passar, como fantasmas, os vultos dos raros transeuntes e pediu socorro:

- Meu filho está no hospital e eu estou perdido neste nevoeiro. Alguém poderia me ajudar?...

 Um dos vultos segurou-lhe o braço e ouviu que lhe dizia:

- Tenha a bondade de acompanhar-me.

 O desconhecido o guiava com toda segurança e rapidez. Dobraram várias esquinas, às vezes para a direita, outras para a esquerda.

- Chegamos! - disse a voz

 O homem agradeceu-lhe efusivamente e já ia subindo os degraus do hospital, quando se voltou e perguntou:

- Como é que o senhor conseguiu achar o caminho, neste nevoeiro, com tanta segurança?

- Pra mim é fácil - respondeu-lhe a voz. - O nevoeiro não me faz perder o rumo. Eu sou cego!

 E foi embora... 

(Autor desconhecido)