Durante a guerra, uma família de refugiados, forçada a sair de casa por tropas invasoras, sabiam que a única chance de escapar dos horrores da guerra era atravessar as montanhas que circundavam a cidade. Tinham certeza de que estariam a salvo num país vizinho e neutro, caso conseguissem fazer a travessia. Mas o avô não estava bem e a viagem seria dura.

- Me deixem para trás - pediu ele. - Os soldados não vão se importar com um homem velho como eu.

- Vão sim - disse o filho. - Para o senhor será a morte.

- Não podemos deixá-lo aqui, papai - reforçou a filha. - Se o senhor não for, então nós também não vamos.

 

O idoso finalmente cedeu e a família, composta de umas dez pessoas de diversas idades, inclusive uma netinha de poucos meses, partiu em direção à cadeia de montanhas que se via à distancia. Caminharam em silêncio, revezando-se para carregar o bebê, o que tornou mais difícil a subida do desfiladeiro.

 

Depois de várias horas, o avô se sentou numa rocha e deixou pender a cabeça.

- Continuem sozinhos. Não vou conseguir - disse.

- Vai, sim - encorajou o filho. - Tem de conseguir.

- Não - disse o avô. - Me deixem aqui.

- Vamos - disse o filho. - Precisamos do senhor, é sua vez de carregar o bebê.

 

O homem levantou o rosto e viu as fisionomias cansadas dos demais. Olhou para o bebê envolto num cobertor, agora no colo de seu neto de treze anos, um menino magrinho.

- Claro - disse o avô. - É a minha vez. Vamos passem o bebê para mim.

 

Ele se levantou e ajeitou o bebê no colo, olhando seu rostinho inocente. De repente, sentiu uma força renovada e um enorme desejo de ver sua família a salvo numa terra em que a guerra seria uma memória distante.

 

- Vamos - disse ele, com determinação. - Já estou bem. Só precisava descansar um pouco. Vamos andando.

 

O grupo prosseguiu, com o avô carregando o bebê. E, naquela noite, a família conseguiu cruzar a fronteira a salvo. Todos os que iniciaram o longo percurso pelas montanhas conseguiram terminá-lo, inclusive o avô.

(Floyd Wickman e Terri Sjodin)