Quando minha filha Marissa tinha seis meses, parecia que ela estava sempre olhando para cima. Quando olhei para cima com ela, eu aprendi a mágica das folhas dançando nas árvores e a corrida das nuvens no céu azul.

Aos oito meses ela estava sempre olhando para baixo. Aprendi que cada pedra é diferente da outra, que as rachaduras na calçada formam desenhos interessantes e as folhas da grama têm vários tons de verde.

Quando fez 11 meses começou a dizer:

- "Ouou!"

 

Falava esta palavra para qualquer coisa que fosse nova e maravilhosa para ela, tal como os brinquedos que ela encontrava no consultório do pediatra ou a algazarra dos pardais nos galhos das árvores.

Murmurava "Ouou... Ouou!", para as coisas que realmente a impressionavam, como uma agradável brisa em seu rosto ou um menino correndo, ou o barulho da chuva na janela.

Existia também o "OUOU", mais forte, reservado para acontecimentos verdadeiramente incríveis. Estes incluíam o pôr-do-sol carregado de cores e os fogos de artifício.

 

Ensinou-me muitas maneiras de dizer: "Eu te amo".

 

Disse-me isso certa manhã quando tinha 14 meses. Estávamos aconchegadas. Enterrou sua cabecinha em meu ombro e, com um suspiro de contentamento, disse:

- Feliz.

 

Outro dia apontou uma linda modelo na capa de uma revista e perguntou:

- É você, mamãe?

 

Recentemente, agora com três anos, andava pela cozinha enquanto eu lavava a louça após o jantar e disse:

- Posso ajudar? - E logo depois colocou sua mão em meu braço e completou:

- Mamãe, se você fosse criança, nós seríamos amigas.

 

Em momentos como este, tudo que eu posso dizer é,

- Ouou, ouou!  

(Janet S. Meyer)