Vivia numa cidade um homem que, na opinião de todos, era o protótipo da ruindade...

 

Vivia sozinho, não tinha amigos, não permitia que passassem em sua calçada, detestava animais, quando a bola dos garotos caia em seu quintal ele a furava...

 

O povo dizia que quando ele morresse não haveria quatro pessoas para carregar seu caixão.

 

Na mesma cidade vivia um outro cidadão que tinha uma peculiaridade: acompanhava todos os enterros que ali ocorriam e no cemitério tinha o hábito de enaltecer as qualidades do falecido, antes do caixão baixar ao túmulo.

 

Aconteceu então um dia, que o homem ruim, morreu. E na cidade, onde se dizia que não haveria quatro pessoas para carregar o caixão, foi o enterro mais concorrido de que se tinha noticia, não pelo morto, mas pelo outro personagem, pois todos queriam ouvir que qualidades ele teria para enaltecer naquele morto.

 

Quando o caixão estava pronto para baixar ao túmulo, todos olharam para o homem que ia elogiar o  morto. E ele disse:

- Coitado, ele assobiava tão bem...

(Autor desconhecido)