Passei boa parte de minha vida profissional viajando, como vendedor. E vocês sabem como é solitário ser vendedor. Certa vez, chegando de viagem, minha filha Jeanine, de cinco anos, colocou um presente em minhas mãos. O papel que o embrulhava estava todo amassado e preso por metros de fita adesiva.

 

Dei-lhe um beijo e um grande abraço, e comecei a desembrulhar meu presente, com muito cuidado para não causar nenhum estrago. Jeanine permaneceu ao meu lado, com os olhinhos castanhos bem abertos, esperando ver minha surpresa. Um par de olhos pretos e brilhantes apareceram primeiro, depois um bico amarelo, uma gravata vermelha e pés alaranjados. Era um pingüim de pelúcia com aproximadamente 30 centímetros de altura. Colado na sua asa direita havia uma minúscula placa de madeira, e uma frase pintada à mão "Eu te amo meu pai!". Debaixo da frase um coração desenhado, também à mão. Lágrimas encheram meus olhos.

 

Raramente passava muito tempo em casa e logo tive que sair para mais uma viagem de trabalho. Pela manhã, quando arrumava a bagagem, vi o pingüim sobre a cômoda. Naquela noite quando liguei para casa, Jeanine estava muito aborrecida porque o pingüim tinha desaparecido.

- Querida, ele está aqui comigo. Expliquei-lhe. Eu o trouxe para me acompanhar.

 

Depois daquele dia, ela sempre me ajudou a preparar a bagagem e me avisava onde estava o pingüim para que não o esquecesse, e o pequeno pingüim viajou por muitos lugares. E fizemos muitos amigos ao longo do caminho. Poderia contar muitas aventuras de minhas viagens em companhia do pingüim. Escolho duas:

 

Certa vez, no aeroporto, um inspetor pediu friamente que eu abrisse minha bagagem. E ajeitadinho, por cima de tudo, estava meu pequeno amigo. Segurando-o no alto, o agente leu o que estava escrito e disse,

- Isto é a coisa mais valiosa que eu vi em todos os meus anos de trabalho. Agradeça a Deus que nós não cobramos imposto sobre amor.

 

Noutra noite, após dirigir por cento e tantos quilômetros, ao desfazer minha bagagem, eu descobri que faltava o meu pingüim. Freneticamente, liguei para o hotel de onde tinha saído. O atendente meio incrédulo e cheio de gozação, riu e disse que nada parecido tinha lhe sido comunicado. Apesar de tudo, meia hora mais tarde, me ligou para dizer que meu pingüim tinha sido encontrado. Era tarde da noite, mas não para isso. Sem pestanejar, voltei para meu carro e dirigi mais um par de horas para recuperar meu inseparável companheiro de viagem.

 

Jeanine hoje está na faculdade e eu já não viajo tanto quanto antes. O pingüim passa a maior parte do tempo sentado na cômoda de meu quarto, lembrando-me sempre que o amor é o melhor companheiro de viagem.

 

(Tirado e adaptado de um texto de Edmund W. Boyle)