Francisco, "Chiquinho" como todos o chamam, estava sentado à mesa da cozinha e, como quem está fazendo uma coisa muito importante, escrevia, muito concentrado, numa folha de papel.

 

- Que é que você está escrevendo aí? - perguntou-lhe sua mãe.

- Uma conta pra você - respondeu o garoto sem se perturbar.

- Isso me deixa muito curiosa - retrucou a mãe sorrindo.

- Não se preocupe, mamãe, estou quase acabando.

 

 

Ao terminar levantou-se e levou a folha para sua mãe que, admirada, leu em voz alta:

 

CONTA DE CHIQUINHO PARA SUA MÃE

3 vezes arrumei o quarto....................................... R$ 3,00

2 vezes fui à farmácia comprar remédio............... R$ 2.00

5 vezes fui à padaria comprar pão........................ R$ 5.00

1 vez limpei os sapatos da mamãe....................... R$ 1.00

3 vezes tomei conta de meu irmãozinho............... R$ 9.00

4 vezes recolhi a mesa depois de comer.............. R$ 8.00

6 vezes ajudei a lavar a louça............................... R$ 3.00

TOTAL................................................................. R$ 31.00

 

- Você vai pagar-me a conta, não vai? Eu mereço - insistia o menino postado diante da mãe.

- Claro, Chiquinho, mas antes vou fazer a minha conta pra você, do outro lado da folha - sorriu a mãe.

- Sua conta? - admirou-se o menino.

- Sim, minha conta. - E começou a escrever:

 

CONTA DA MÃE DE CHIQUINHO PARA SEU FILHO

Cozinhei para o Chiquinho durante 8 anos............ R$ 0.00

Lavei sua roupa durante 8 anos............................. R$ 0.00

Dei-lhe banho e penteei-o 2.000 vezes.................. R$ 0.00

Consertei suas calças e camisas 50 vezes............ R$ 0.00

Passei 100 noites em claro cuidando dele............ R$ 0.00

TOTAL.................................................................... R$ 0.00

 

O garoto leu atentamente a conta da mãe e depois, todo embaraçado, disse:

 

- Mas por que você colocou sempre zero reais?

- Porque uma mãe faz tudo de graça pelo seu filho. Bem, agora vou pagar-lhe os 31 reais, pois você os mereceu.

- Acho que não precisa - envergonhou-se o menino. - Não me deve nada. Se eu tivesse que pagar tudo que você fez por mim não pagava nem em 100 anos!

 

E rasgou a folha...


 

 (Adaptação de um texto do "Livro da família - 1986")