Um casal tinha um filho único e criou-o cheio de mimos e fazendo-lhe todas as vontades.

Quando se tornou maior dedicou-se a jogar, a beber e a todo tipo de vícios.

Para manter-se começou a roubar, convertendo-se em chefe de uma quadrilha de ladrões. Uma casa abandonada, na periferia da cidade, virou covil da quadrilha.

 

Em certa ocasião, estando a gangue reunida, passou por perto o pai dele. Quando o reconheceu, disse aos seus cúmplices que era seu pai e que o ia roubar ele sozinho, pois tinha umas contas a acertar com ele.

 

Saiu e foi ao seu encontro. Apontando-lhe o revólver pediu que lhe entregasse todo o dinheiro. O pai, que não o tinha reconhecido, pois o filho agora usava barba e bigode, disse-lhe:

- Eu não tenho dinheiro. Um filho que tive gastou-no tudo e o pouco que sobrou não deu nem pra pagar as dívidas.

- Então - replicou-lhe o filho, mostrando-lhe uma pequena árvore - pegue aquela plantinha e dobre-a até encostar-lhe a ponta no chão.

O pai dobrou-a sem nenhuma dificuldade.

 

- Agora faça a mesma coisa com aquela árvore - disse-lhe mostrando-lhe um pé de eucalipto ainda novo mas já bastante crescido.

O pai se esforçou o mais que podia, mas o tronco já era grosso demais para dobrá-lo.

 

Então, o filho disse-lhe:

- Você não me conhece, não é? É por causa da barba e do bigode. Mas eu sou se filho. Cheguei a onde estou, por sua culpa. Se quando era criança me tivesse reprimido, em vez de deixar-me solto, também me teria dobrado como fez com esta plantinha, mas deixou-me ir por maus caminhos e, agora, por muito esforço que faça já não posso voltar à vida de uma pessoa honrada...

 

O pai voltou para sua casa muito abatido e deprimido, reconhecendo que era sua a culpa de que seu filho se tivesse convertido em ladrão, pois não soubera pôr-lhe limites quando era pequeno...

 

(Conto popular da Galícia (Espanha) - recolhido por Henrique Harguindey)