Certo dia, um príncipe indiano mandou chamar um grupo de cegos de nascença e os reuniu no pátio do palácio. Ao mesmo tempo, mandou trazer um elefante e o colocou diante dos cegos. Em seguida, conduzindo-os pela mão, foi levando os cegos até o elefante para que o apalpassem.

Um apalpava a barriga, outro o rabo, outro a orelha, outro a tromba, outro uma das patas... Quando todos os cegos tinham apalpado o paquiderme, o príncipe ordenou que cada um explicasse aos outros como era o elefante.

 

Então, o que tinha apalpado a barriga disse que o elefante era como uma enorme panela. O que tinha apalpado o rabo até os pelos da extremidade, discordou e disse que o elefante se parecia mais com uma vassoura...

- Nada disso! - interrompeu o que tinha apalpado a orelha. - Se com alguma coisa se parece é com um grande leque aberto.

O que apalpara a tromba deu uma risada e interferiu:

- Vocês estão por fora. O elefante tem a forma, as ondulações e a flexibilidade de uma mangueira de água.

- Essa não! - replicou o que apalpara a pata - ele é rígido como um poste.

 

Os cegos se enroscaram numa discussão sem fim, cada um querendo provar que os outros estavam errados, e que o certo era o que ele dizia. Evidentemente cada um se apoiava na sua própria experiência e não conseguia entender como os demais podiam afirmar o que diziam.

 

O príncipe deixou-os falar para ver se chegavam a um acordo, mas quando percebeu que eram incapazes de aceitar que os outros podiam ter tido outras experiências, ordenou que se calassem.

- O elefante é tudo isso que vocês falaram - explicou. - Tudo isso que cada um de vocês percebeu é só uma parte do elefante. Não devem negar o que os outros perceberam. Deveriam juntar as experiências de todos e tentar imaginar como a parte que cada um apalpou se une com as outras para formar esse todo que é o elefante.

(Parábola indiana)