Era uma vez um rei cuja esposa vivia triste, definhando. Um dia, ele notou que a mulher de um pobre pescador que morava próximo à corte era o próprio retrato da saúde e da felicidade. Então, ele dirigiu-se ao pescador:

- Como você consegue fazê-la tão feliz?

- É fácil - respondeu o pescador. - Dou-lhe carne de língua.

 

O rei imaginou que agora tinha a solução e ordenou que os melhores açougueiros do reino trouxessem língua para sua esposa, e passou a servir uma dieta reforçada. Mas suas esperanças foram frustradas. Ela piorou. O rei ficou furioso, e foi procurar o pescador:

- Vamos trocar de esposa. Quero uma mulher mais alegre.

 

O pescador foi obrigado a aceitar a proposta, apesar de fazê-lo com muito pesar.

O tempo passou e, pouco a pouco, para a aflição do rei, sua nova esposa caiu doente, definhando a olhos vistos, enquanto sua ex-esposa, vivendo com o pescador, transpirava saúde e alegria. Um dia, no mercado, ela passou ao lado do rei, que mal a reconheceu. Ele ficou impressionado:

- Venha comigo!!!

- Jamais! - respondeu ela. - Todos os dias, quando meu novo marido chega em casa, ele se senta comigo, me conta histórias, ouve as que tenho para contar, canta, me faz rir, me enche de vida. Essa é a carne de língua, alguém que conversa comigo e dedica a atenção a mim. O dia inteiro mal posso esperar que chegue a noite.

 

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 Sem atenção, não há gentileza, nem calor humano,

nem proximidade, nem relacionamento.

 

(ILAN BRENMAN)