Durante uma festa, ao ar livre, a chama de uma linda vela brilhava na semiescuridão do jardim, esperando o momento de cantar os parabéns.

 

Uma colorida borboleta que estava voando por perto viu, ao longe, a luz da chama. Imediatamente voou naquela direção e ao se aproximar da chama, girou em volta dela, olhando-a maravilhada. Como era bonita!

 

Não satisfeita em admirá-la, a borboleta resolveu fazer o mesmo que fazia com as flores perfumadas. Afastou-se e em seguida voou em direção à chama e passou rente a ela.

 

Subitamente caiu, estonteada pela luz e muito surpresa ao verificar que as pontas de suas asas estavam chamuscadas.

- Que aconteceu comigo? - pensou ela.

 

Não conseguiu entender. Era impossível crer que uma coisa tão bonita quanto a chama pudesse causar-lhe algum mal. E assim, depois de renovar suas forças, sacudindo as asas, levantou voo novamente.

 

Rodou em círculo e mais uma vez dirigiu-se à chama, pretendendo pousar sobre ela. E imediatamente caiu, com as asas queimadas, pela chama e pela cera derretida da pequenina chama.

 

- Maldita luz - murmurou a borboleta agonizante - pensei que ia encontrar em você a felicidade e em vez disso encontrei a morte. Cega pela sua beleza, vi tarde demais o quanto você é perigosa.

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Esta fábula é dedicada àqueles que, como a borboleta, são atraídos pelos prazeres mundanos, ignorando a verdade. Então, quando percebem o que perderam, já é tarde demais.

(Leonardo da Vinci - 1452-1519)