Certa vez um homem resolveu invadir o quintal do vizinho para roubar algumas maçãs vermelhinhas que brilhavam apetitosas nas suas macieiras.

- Já sei como fazer! - calculou ele. - Vou pegar duas ou três maçãs de cada macieira. Assim o vizinho não vai perceber a falta.

Vigiou atentamente o vizinho para escolher o melhor momento de pôr em prática seu plano. Quando surgiu a oportunidade, pegou uma sacola de pano e saiu às escondidas de casa, levando consigo sua filha mais nova.

- Filha, - ele sussurrou - fique de guarda para o caso de alguém aparecer.

 

O homem olhou cuidadosamente para a esquerda e para a direita e pulou a cerca silenciosamente.

Pouco depois, a criança gritou:

- Papai, alguém está vendo você!

O homem olhou em volta, sem ver ninguém. Pegou três lindas maças da primeira macieira e já se dirigia à segunda quando a menina gritou de novo:

- Papai, alguém está vendo você!

 

O homem parou e olhou em volta, mas não viu ninguém, por isso colocou mais três maçãs na bolsa e esgueirou-se para a próxima macieira.

 - Papai, alguém está vendo você! - insistiu a criança.

 O homem parou, olhou para todos os lados e, mais uma vez, não viu ninguém.

- Por que você fica dizendo que alguém me está vendo? - perguntou zangado. - Eu já olhei para todos os lados e não vejo ninguém.

- Papai, - murmurou a criança - alguém está vendo você lá de cima!

- Já sei! Deus!

- Não, papai, a câmera de vigilância!

 

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Com certeza, Deus "está vendo você", mas entre a câmara de vigilância e Deus, "alguém mais está vendo você!": a sua própria consciência: ela é a câmara de vigilância de Deus e... a sua!

 

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(G. Cabada - inspirado em William J. Bennett)